A crise dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou força nesta semana após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal relacionado ao caso do Banco Master. O documento reúne registros de contatos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo o relatório, houve encontros entre Moraes e Vorcaro entre 2024 e 2025. O primeiro contato teria sido facilitado, em 2023, pelo então ministro das Comunicações Fábio Faria. As mensagens também mencionam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Moraes, por sua vez, reagiu apresentando a Edson Fachin, presidente do STF, um pedido para investigar Mendonça. Ele apontou suspeitas relacionadas à condução das investigações sobre as fraudes no INSS, no âmbito da operação Sem Desconto, e sobre o Banco Master, investigado na operação Compliance Zero.
Na avaliação de Moraes, relatórios da PF indicariam possível interferência nas investigações, irregularidades em negociações de colaboração premiada e escolha de alvos por razões pessoais e políticas. Entre os nomes mencionados está o próprio Moraes, além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório. O órgão questionou a forma como a investigação foi conduzida e afirmou que autoridades com foro no STF exigem procedimentos específicos. Gonet também sustentou que não cabe a um magistrado realizar investigação pré-processual ou atuar como acusador.
Diante do impasse, Fachin abriu um procedimento para esclarecer os fatos. Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues terão cinco dias para apresentar informações. Entre os pontos que serão analisados estão o cumprimento das regras para investigações envolvendo autoridades com foro no Supremo, o acesso a documentos protegidos, a identificação dos investigados no caso Master e a atuação da PGR na fiscalização da PF.
Após receber as manifestações, Fachin deverá avaliar os próximos passos e decidir se a questão será submetida ao plenário do STF.


