Documentos governamentais e relatos de mulheres detidas nos Estados Unidos revelam problemas no acompanhamento de gestações dentro de instalações administradas ou utilizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
Segundo registros obtidos pelo The Guardian, o ICE contabilizou 18 abortos espontâneos entre janeiro e setembro de 2025. Depois de 3 de outubro daquele ano, porém, a agência deixou de ter dados atualizados sobre perdas gestacionais. A mudança ocorreu durante a transição do sistema responsável pelo processamento das informações médicas para a empresa privada Acentra Health.
O levantamento também reúne relatos de mulheres que afirmam ter enfrentado demora para receber atendimento médico, dificuldade para acessar acompanhamento pré-natal e falta de assistência após complicações na gravidez.
Um dos casos citados envolve uma imigrante identificada como Maria, nome fictício. Grávida de dez semanas e detida no Texas, ela relatou ter passado mais de 24 horas com sangramento e fortes dores antes de ser encaminhada ao hospital, onde foi constatada a perda da gestação.
Também foram relatados casos de mulheres encaminhadas a hospitais durante abortos espontâneos usando algemas. Relatórios da Physicians for Human Rights apontam ainda situações envolvendo gestantes em unidades do Texas e de Nova Jersey. As diretrizes do Departamento de Segurança Interna (DHS) de 2021 restringem o uso de algemas em grávidas e mulheres no período pós-parto, salvo circunstâncias excepcionais de segurança.
Outro ponto levantado nas investigações são casos de mulheres diagnosticadas com óbito fetal, mas posteriormente deportadas sem, segundo os relatos, receber tratamento adequado antes da saída dos EUA.
O DHS e o ICE contestam as acusações e afirmam que seguem os padrões nacionais de detenção, com triagem médica nas primeiras 24 horas e acompanhamento pré-natal para as gestantes sob custódia.


