Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegam ao segundo turno da eleição presidencial de 2026 defendendo visões bastante diferentes sobre o papel do Estado, a economia, a segurança pública e outras áreas, embora também tenham pontos de convergência.
Na economia, Lula propõe maior participação do governo no desenvolvimento, fortalecimento da indústria, redução das desigualdades e manutenção do novo arcabouço fiscal. Flávio defende diminuir o tamanho do Estado, cortar despesas, reduzir impostos, revisar a reforma tributária e ampliar privatizações.
Na segurança pública, Lula prioriza inteligência, combate financeiro às organizações criminosas, fortalecimento das polícias federais e controle de armas. Flávio propõe penas mais rígidas, redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, cinco novos presídios de segurança máxima e uma rede nacional de reconhecimento facial com mais de 1 milhão de câmeras.
A relação com o STF também é um dos principais pontos de divergência. Flávio defende mandato para ministros, restrições às decisões individuais e novas regras para indicações, além de apoiar o impeachment de Alexandre de Moraes. Lula também já declarou ser favorável a mandatos para ministros, mas seu programa de governo não prevê mudanças institucionais na Corte.
Outro tema é o destino dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Flávio promete anistia aos envolvidos e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula defende a manutenção das punições.
Na educação, Lula prioriza a expansão da rede pública, creches, ensino integral, Pé-de-Meia, conectividade e Institutos Federais. Flávio defende alfabetização pelo método fônico, escolas cívico-militares, gestão por resultados e vouchers quando não houver vagas na rede pública.
Na saúde, os dois apostam em tecnologia, telemedicina, inteligência artificial e prontuários eletrônicos. Lula enfatiza o fortalecimento do SUS e a expansão do Mais Médicos; Flávio propõe maior integração entre as redes pública e privada e a contratação de serviços particulares ociosos para reduzir filas.
No trabalho, Lula defende valorização real do salário mínimo, regulamentação de trabalhadores de aplicativos, combate à pejotização, negociação coletiva, fim da escala 6×1 e jornada de 40 horas semanais sem redução salarial. Flávio propõe maior flexibilidade nas relações trabalhistas e redução gradual dos custos de contratação, preservando direitos.
Na política externa, Lula prioriza Mercosul, Brics e maior atuação brasileira em organismos internacionais. Flávio defende aproximação com países ocidentais, retomada da adesão à OCDE e reconstrução de relações com Estados Unidos, Argentina e Israel.
No meio ambiente, Lula estabelece como meta zerar o desmatamento líquido até 2030 e ampliar áreas protegidas. Flávio promete eliminar o desmatamento ilegal até 2029, mas também defende mudanças nas regras ambientais para facilitar obras e exploração de recursos e afirma que não pretende demarcar novas terras indígenas.
Apesar das diferenças, os dois candidatos têm propostas semelhantes em alguns pontos: incentivo à bioeconomia, remuneração para quem preserva o meio ambiente, investimentos em inteligência artificial e data centers, expansão do seguro rural, produção nacional de fertilizantes, irrigação, biocombustíveis, ferrovias e saneamento.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro e colocará frente a frente dois projetos com diferenças profundas sobre economia, segurança, direitos trabalhistas, meio ambiente e atuação do Estado.
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