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Crise bancária leva presidente do Paraguai a anunciar renúncia e enfrentar impeachment

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou na quinta-feira (5) que pretende deixar a Presidência em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A decisão ocorreu enquanto parlamentares avançavam com um processo de impeachment contra o chefe do Executivo.

Apesar do anúncio, Peña ainda permanece formalmente no cargo. A sessão do Congresso que deveria analisar sua renúncia foi suspensa por falta de quórum, depois que parlamentares governistas deixaram o plenário. Com isso, a saída do presidente não foi oficialmente aprovada.

A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment, com os 78 parlamentares presentes votando a favor. O caso seguiu para o Senado, que iniciou a análise das acusações na noite de quinta-feira e deu continuidade aos procedimentos nesta sexta-feira (6).

Peña solicitou mais 72 horas para preparar sua defesa, mas o pedido foi rejeitado. O presidente não compareceu à sessão prevista para ouvi-lo, e sua equipe jurídica contestou o prazo concedido para a apresentação dos argumentos.

O que aconteceu com o Ueno Bank?
A crise começou após o Banco Central do Paraguai identificar problemas graves na capacidade financeira do Ueno Bank. O índice de solvência da instituição chegou a 5,56%, menos da metade do mínimo de 12% exigido pela regulamentação paraguaia.

Diante da situação, o órgão regulador iniciou o procedimento de resolução da instituição. A medida atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes, que tiveram contas e recursos bloqueados, provocando protestos em diferentes pontos do país.

O banco também administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. Entre os valores sob questionamento estão depósitos vinculados ao sistema previdenciário paraguaio. A crise levou ainda à saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.

Suspeitas e investigações
A ligação anterior de Peña com o grupo empresarial que controlava o banco passou a ser um dos pontos centrais da crise. O presidente foi investidor da holding relacionada ao Ueno até março de 2025.

A oposição acusa o mandatário de possível conflito de interesses, interferência na fiscalização da instituição e favorecimento na destinação de recursos públicos. Também são investigadas suspeitas de irregularidades envolvendo autoridades financeiras e previdenciárias.

O Ministério Público paraguaio abriu investigações criminais relacionadas à supervisão e à liquidação do banco, além da aplicação de recursos públicos na instituição. Peña nega ter cometido irregularidades e afirma que colaborará com as autoridades.

Em manifestação pública, o presidente declarou que pretende apresentar documentos e argumentos em sua defesa. Também defendeu que a devolução dos valores aos clientes prejudicados não seja condicionada ao desfecho de seu processo político.

O que pode acontecer agora?
A situação institucional permanece indefinida. Como a renúncia ainda não foi aceita pelo Congresso, o vice-presidente Pedro Alliana não assumiu a Presidência. Ao mesmo tempo, o Senado precisa dar andamento ao julgamento político.

O resultado poderá determinar se Peña deixará o cargo por renúncia formal ou por destituição. A diferença é relevante também para sua situação jurídica: a saída pela renúncia pode permitir que ele ocupe uma cadeira de senador vitalício, enquanto uma condenação no impeachment pode retirar essa possibilidade e sua proteção parlamentar.

Enquanto isso, milhares de correntistas aguardam a liberação dos recursos retidos. O caso se tornou uma das maiores crises políticas e financeiras recentes do Paraguai, com repercussões sobre a confiança nas instituições e no sistema bancário do país.

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