Vice-presidente JD Vance questiona contratação de profissionais estrangeiros após demissões nos Estados Unidos; medida também atinge outras gigantes do setor de tecnologia.
O governo do presidente Donald Trump anunciou, na quinta-feira (8), a suspensão da Microsoft e de outras grandes empresas de tecnologia de um programa utilizado por empregadores para solicitar residência permanente nos Estados Unidos para trabalhadores estrangeiros. A administração norte-americana alega possíveis irregularidades no sistema e afirma que pretende proteger as oportunidades de emprego para profissionais do país.
O anúncio foi feito pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado do secretário do Trabalho, Keith Sonderling. Segundo Vance, a Microsoft demitiu aproximadamente 6 mil funcionários norte-americanos no ano passado, mas obteve cerca de 6,3 mil vistos temporários H-1B e quase 3 mil green cards no mesmo período. O vice-presidente usou esses números para questionar a política de contratação da companhia.
As acusações fazem parte de uma iniciativa mais ampla do governo para aumentar a fiscalização dos programas de imigração profissional. Até o momento, as alegações apresentadas pelas autoridades não equivalem, por si só, a uma comprovação judicial de fraude.
Quais empresas foram afetadas?
Além da Microsoft, a suspensão inclui a Adobe e empresas de tecnologia e consultoria como Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services, Wipro, HCL Technologies e Capgemini. De acordo com o Departamento do Trabalho, novos pedidos de certificação trabalhista permanente envolvendo essas companhias não serão aceitos, e os processos pendentes deixarão de ser analisados.
A Microsoft não havia respondido imediatamente aos pedidos de posicionamento divulgados pelas agências de notícias no momento da publicação das primeiras reportagens sobre a decisão.
Como funciona o programa de green cards?
A medida envolve o PERM, procedimento de certificação trabalhista exigido na maioria dos processos de residência permanente patrocinados por empregadores. Nessa etapa, a empresa precisa demonstrar que não há profissionais norte-americanos qualificados, disponíveis e dispostos a ocupar a vaga nas condições oferecidas, além de cumprir exigências destinadas a proteger os salários e as condições de trabalho locais.
O visto H-1B, por sua vez, permite a contratação temporária de profissionais estrangeiros para determinadas ocupações especializadas. Já o green card concede residência permanente nos Estados Unidos. Os dois documentos têm finalidades distintas, embora o visto H-1B possa ser utilizado por trabalhadores que posteriormente buscam a residência permanente por meio do empregador.
A suspensão do PERM pode dificultar o avanço de pedidos de residência permanente patrocinados pelas empresas atingidas, mas não significa, automaticamente, que todos os vistos H-1B já concedidos a seus funcionários tenham sido cancelados.
Governo amplia fiscalização migratória
A ação contra as empresas ocorre em meio ao endurecimento das políticas de imigração profissional da administração Trump. Na mesma ocasião, JD Vance anunciou investigações envolvendo nove universidades norte-americanas, suspeitas, segundo o governo, de utilizar indevidamente vistos de intercâmbio J-1. As autoridades afirmam que pretendem apurar se esses programas foram usados para reduzir custos de contratação ou prejudicar trabalhadores dos Estados Unidos.
O episódio evidencia o aumento da pressão sobre empresas de tecnologia que dependem de profissionais estrangeiros qualificados. Para trabalhadores que planejam construir carreira nos Estados Unidos, mudanças nos procedimentos de certificação podem representar atrasos e incertezas nos caminhos para a residência permanente.
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