Um brasileiro residente na Flórida foi condenado pela Justiça Federal dos Estados Unidos após participar de um esquema de fraude fiscal que envolvia pedidos milionários de restituição ao governo americano. O caso chamou a atenção das autoridades federais por envolver declarações falsas enviadas ao Internal Revenue Service (IRS), órgão equivalente à Receita Federal dos EUA.
Segundo documentos judiciais divulgados pelas autoridades americanas, Gilmar Pereira Da Silva Jr., morador de Kissimmee, na Flórida, recebeu sentença de 37 meses de prisão federal. Além da pena, ele também terá que devolver mais de US$ 103 mil ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, valor obtido de maneira fraudulenta em anos anteriores.
De acordo com a investigação, o brasileiro admitiu ter enviado declarações falsas de imposto de renda utilizando créditos fiscais inexistentes relacionados a combustível. Em uma das tentativas, referente ao ano fiscal de 2021, ele solicitou ao IRS uma restituição superior a US$ 3,4 milhões. O pedido acabou não sendo aprovado pela Receita americana, mas acendeu o alerta das autoridades federais.
As investigações apontaram ainda que o esquema já havia sido utilizado anteriormente. Nos anos fiscais de 2019 e 2020, declarações fraudulentas semelhantes resultaram no pagamento de aproximadamente US$ 103 mil, quantia depositada em contas ligadas ao acusado.
O caso foi conduzido pelo Ministério Público Federal do Distrito Médio da Flórida e investigado pela divisão criminal do IRS, responsável por combater crimes financeiros e fraudes tributárias nos Estados Unidos. As autoridades afirmaram que ações desse tipo têm se tornado prioridade nos últimos anos devido ao aumento de tentativas de obtenção ilegal de restituições milionárias por meio de documentos falsificados.
Especialistas apontam que fraudes envolvendo restituição de impostos costumam utilizar créditos fiscais inexistentes, empresas fantasmas ou informações financeiras manipuladas para tentar enganar o sistema da Receita americana. Em muitos casos, os envolvidos conseguem receber valores antes que as inconsistências sejam identificadas pelas autoridades.
Nos Estados Unidos, crimes fiscais podem resultar em penas severas, principalmente quando envolvem conspiração, falsificação de documentos e tentativa de prejuízo milionário ao governo federal. Dependendo da gravidade, os condenados ainda podem enfrentar deportação após o cumprimento da pena, especialmente quando não possuem cidadania americana.
O caso de Gilmar Pereira Da Silva Jr. ocorre em meio a uma série de operações conduzidas pelo Departamento de Justiça dos EUA contra esquemas de fraude tributária e lavagem de dinheiro. Nos últimos anos, autoridades americanas ampliaram o monitoramento sobre pedidos suspeitos de restituição e movimentações financeiras consideradas incompatíveis.
As autoridades não informaram se há outros envolvidos no esquema investigado, mas destacaram que o combate a fraudes fiscais internacionais segue sendo uma das prioridades do governo americano.
Fonte: informações obtidas junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos e documentos judiciais federais.


